o seu sorriso imperfeito e tão simples te faz parecer uma criança. ao menos, muito de bom grado seria se assim fosse observado.
mas, na verdade, por dentro é tudo tão complexo que o motivo do riso se mistura e se perde em meio a tantos devaneios, curiosidades e até cretinices, frutos de uma imaginação tão fértil. esta, pode ser usada para o bem ou para o mal, ambos da sua opinião: o bem prevê, dá alertas, gera risadinhas; o mal é a ansiedade, a esperança, e conseqüente frustração ou não surpresa.
seu desejo se constitui em se sentir uma obra de arte. só não consegue decidir se quer ser de uma escola apolínea ou de uma dionisíaca. o fato é que não se encaixa em nenhuma das duas pois são incomuns.
o comum é lindo quando autêntico e ridículo quando plagiado ou ignorado ou exagerado, pois perde sua graça instrínseca. o comum é, na verdade, muito singular, só tem esse nome porque todos o possuem, porém, cada um possui o seu. seria uma forma de arte nova, dinâmica, mutável em tempo real.
esse incessante conflito acaba por se tornar cansativo e inútil. mais fácil e mais prazeroso é ser comum. o seu comum é sempre o que te agrada mais, pois é possível molda-lo, combina-lo, transforma-lo, e de tal forma aprender a entendê-lo.
mas quando vira obra de arte?
o parnasianismo valoriza a forma, o simbolismo deixa tudo vago. e os modernistas querem conteúdo e são meio doidos para os outros.
creio que o comum seja mesmo inclassificável. cada crítico dirá uma coisa. além do mais, mudam os focos e ninguém o conhecerá completamente a não ser seu autor. por isso é importante que este o conheça: para não se confundir ante opiniões de tantos, donos de infinitos sensos de comum, e para confirmar sempre que aquela é sua criação.
por fim, sinto que meu sorriso imperfeito e tão simples me faz parecer uma criança.
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