terça-feira, 29 de janeiro de 2008

"I'm an attractive, intelligent and confident business woman"

eu sou um ser que vive dentro de bolhas (pode criar um nome divertido, tipo bolha girl, se quiser, mas não faça alusão a minha barriga sarada tatelicious).
a cada vez que estouro uma bolha, piso no chão com mais firmeza. e às vezes nem sabia que tinha outra bolha em volta de mim (elas são transparentes, pois bem). quando descubro, posso estourá-las com um alfinete ou às vezes tenho que pisar forte. depende da espessura que eu imaginar pra bolha.
nessa vida, já passei por mais de uma bolha. talvez 2? não, 3... 4!
as bolhas não param de aparecer. e nunca vão parar. é por isso que eu cresço. e eu não tenho medo das bolhas, sou eu quem as crio, afinal.

a primeira bolha de que me lembro, foi estourada quando eu tinha 5, 6, 7 (é difícil lembrar a idade exata) anos. eu era uma pirralhinha chata que adorava gritar e que brincava de barbie o dia inteiro e todo mundo vivia me dizendo que um dia eu ia enjoar (eu acabei enjoando MESMO aos 9, mas isso não vem ao caso). infância é simples ao nosso ver, mas é porque não somos mais crianças. um dia, fui ao mercado com a minha mãe e fiquei dentro do carro. pensando comigo mesma, como eu adoro fazer até hoje, comecei a pensar em como era legal pensar comigo (e também gosto dessa sensação até hoje). dai pensei "poxa, será que só eu consigo fazer isso?"
foi uma questão crucial. de repente, todo mundo tinha idéias, segredos, sentimentos e meu umbigo não era o centro do universo (talvez meu centro de gravidade).

a próxima (ou anterior) bolha foi mais dolorida. enfrentei pela primeira vez a morte. meu irmão, com 3 anos (quando eu tinha 6), faleceu de infecção múltipla, agravamento de catapora. na época, eu nem tinha entendido que ele tava doente de verdade. no dia em que ele foi pro hospital com a minha mãe, eu chorei muito, no travesseiro dela, cheia de ciúme. talvez eu até tivesse percebido que algo de errado tava acontecendo e só encontrei o ciúme e raiva como escape, nunca vou saber. as empregadas vinham me dizer "não chora, você tem que rezar pra dar certo"... mas lembro que eu não entendia porque eu tinha que rezar e pra quê. não é possível que não tivessem me dito nada.
então, meu irmãozinho morreu. passar por tal experiência tão cedo me fez amadurecer mais cedo também. eu podia muito bem ter ficado anos e anos me culpando, afinal, eu tive catapora antes dele (tava dando um surto no colégio). mas minha família soube me consolar, ajudar e "superar". essa palavra fica entre aspas, porque não acredito que morte é algo superável. e também não existe como ganhar experiência nisso. isso não é nem um quesito...

sabe aquela fase em que você tem 12 anos e sua cabeça vira um brainstorm (tenho usado muito essa palavra, certo, caio?)? você fica confuso, você não sabe em quê acreditar, se é criança ou adolescente, fica tão instável que perde a confiança em si. nesse época minha auto-estima ficou muito vulnerável, até porque eu era bem gordinha (então teoricamente "tinham" motivo pra me zoar). aprendi a sorrir por fora e ignorá-los, mas me ver como garota e não ser assexuado veio muito depois. com 13 anos, emagreci. demorou até eu me ver como uma menina magra, mas assim que estourei essa bolha, as pessoas também pararam de me zoar. então ganhei confiança como menina que era mais que a gordinha cdf.

essa bolha foi mal estourada, pois voltou como outra. sendo mais feliz comigo mesma, ganhei a companhia das pessoas como outra companhia agradável. desenvolvi bastante o meu interior, graças à educação que recebi da minha mãe, minha melhor amiga. mas, novamente, com o corpo em fase de mudanças (êee puberdade), perdi a confiança em mim pra ser uma mulher em potencial. porque apesar de eu achar que me garantia muito bem com meu interior pra ser talvez uma pessoa muito legal, achava que garotos só iam gostar de mim se eu fosse 'perfeita' fisicamente. paradoxal, até...
não vou ser modesta, porque apareceram bastantes. nenhum me interessou, ou talvez eu nem me deixei interessar, afinal, eles não podiam descobrir o quão imperfeita eu era por fora (sendo que a maior imperfeição tava em achar isso por dentro), isso arruinaria tudo. e eu iria sofrer. como eu sofria quando me chamavam de baleia alada ou espalhavam pro colégio que eu quebrei a cadeira da sala de informática. só que com isso eu já tinha aprendido a lidar me alienando da coisa. pra me relacionar eu teria que estar na coisa. sentir, gostar. e assim fica mais fácil de doer.

conheci meu primeiro namorado. um garoto que gostava muito de mim, me tratava muito bem, talvez até bem demais que tenha me deixado mal acostumada. por mais que a gente tenha brigado, por diversos motivos que não vale a pena resgatar nem deixar públicos, tenho muito carinho por ele até hoje. foi o nino que me ensinou que eu não precisava ser perfeita fisicamente para alguém gostar de mim (usando essa palavra). peguei ódio da palavra, porque realmente NADA é perfeito. e que eu não devia ligar tanto para o que os outros estão pensando de mim, pois isso é muito variável. eis outra bolha.

esse ano, comecei a namorar de novo. achei um cara que parecia ser "igual" a mim, mas que hoje em dia vejo que ainda bem que não é. e às vezes forço pra perceber que não é mesmo.

era tudo tão seguro. tão certo. um já gostava do outro, então não tinha aquela de "o amor vem com o tempo" (que aliás, é uma das maiores mentiras já inventadas). henrique, meu melhor amigo.

ele gostou de mim em mais uma das épocas que eu gosto de chamar de 'felicidade autêntica' (li isso em alguma frase de alguém famoso), quando você está feliz consigo mesmo. segurança, auto-confiança, independência, paz interior. tudo de bom. minha busca interna constante.
parei de ver minhas amigas com tanta freqüência. mas isso já foi de antes de namorar com ele. mesmo que não fosse, nunca foi culpa dele. ele sempre me deixou livre, quem me prendia era eu mesma.
então, felizmente percebi isso. ó, mais uma bolhinha.

fui em busca de contato com elas. porém, todo tempo que tinha com elas era contado e na minha cabeça, deveria ser aproveitado ao máximo. todo mundo sabe que se você deitar pra dormir, por mais sono que tenha e fique pensando "tenho que dormir, tenho que dormir, tenho que dormir", você não dorme. pois é.
acabei querendo que elas gostassem de mim. e tentando arranjar uma maneira artificial de parecer 'legal' em menos tempo. ou seja, não a minha maneira.

recentemente, mais especificamente hoje, descobri(mos) que tava fazendo algo de errado com meu namorado também.
por que tudo começou tão seguro e do nada isso aflorou? porque as pessoas, ainda bem, nunca se conhecem totalmente. pois é. do mesmo jeito que aceito imperfeição nos outros, hoje eu descobri que não preciso ser perfeita também psicologicamente.


essa foi minha última bolha estourada. com a ajuda de um livro, um primo, uma psicóloga e eu mesma.
por que não dizer? por que eu devo esconder o que tô sentindo?
posso dizer, pensar, fazer o que quiser, desde que não prejudique ninguém.

e não tenho medo de parecer dependente, tosca, podre, ridícula, porque eu sei que não sou.
e também não ligo de assumir se eu estiver carente, triste, feliz também.


talvez meus discursos possam parecer mais interessantes por eu, justamente, como diz o celso, escrever algo superficialmente profundo. hoje eu disse isso aí mesmo, me aprofundei com o texto. pois é, sou humana. vai encarar?

Um comentário:

Caio disse...

Estou comentando só pra mostrar (pros outros) que li. Afinal passamos um bom tempo conversando. Inclusive você digitou isso enquanto ainda estávamos conversando.

;**

'Cause every little thing is gonna be alright

;)